Pela Cantábria e Picos da Europa

Retratos de uma Road Trip. A paisagem que vemos da janela do carro é bucólicamente rural. Temos vontade de caminhar pelos vales, de tomar banho no Rio Miera, que nos acompanha

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Fui ver a Martita, mamã babada e feliz da sua Ana Sofia, uma bebé linda de dois meses e depois de ver imagens lindíssimas no blog Agora Digo Eu, lembrei-me da Cantábria e que está a fazer um ano que eu e a Marta fizemos a nossa road trip de três dias, completamente à aventura. As paisagens, a máquina fotográfica e um Seat Ibiza alugado.

Partimos de Lisboa para Santander numa quarta-feira, já ao final do dia. Éramos quatro pessoas numa carrinha e após algumas paragens higiénicas e jantar em Tordesilhas, chegamos cansados a Santander por volta da 01:30 da manhã. Após um sono breve, o dia de quinta e sexta de manhã foram de trabalho e pouco deu para conhecer a cidade, com exceção da praia de areal vasto, convidativo a passeio, que víamos da janela do hotel. “Então, isto é só trabalho e passear nada?” Decidimos não regressar a Lisboa na sexta-feira à tarde e ficar por ali, para conhecer melhor a Cantábria e os Picos da Europa.

Tomámos a decisão e os nossos dois colegas lá regressaram a Lisboa, apreensivos. Comprei um biquíni e corremos imediatamente para a praia em frente, Estava maravilhosa, tendo em conta que é a Norte, no Golfo Cantábrico. Água quente, ondas razoáveis, convidativas a mergulhos e mais mergulhos.

Quando regressámos à areia, tinha desaparecido a mala da Marta, com dinheiro e telemóvel. Nunca a encontrámos nem percebemos se foi furtada ou simplesmente perdida. Foi um percalço a que nos tivemos que habituar. Alugámos um Seat Ibiza, branco, no aeroporto de Santander, com algumas dificuldades operacionais, linguísticas e financeiras, face ao acontecido e algumas discussões também. Mostrou-se um bom carro, resistente e confortável de conduzir.

No sábado de manhã demos inicio à road trip e partimos de Santander, pela auto-estrada, em direção a San Sebastian. Saímos em Solares e apanhámos a estrada CA 162, em direção a Liérganes e ao vale do Rio Miera, que faz parte da região dos Valles Pasiegos. A paisagem que vemos da janela do carro é bucólicamente rural, com prados, pequenas aldeias, vacas e casinhas acolhedoras, no meio de vales verdejantes. Temos vontade de sair em todas as localidades, de passear pelas ruas pequenas, de falar com os seus simpáticos habitantes, de caminhar pelos vales, de tomar banho no Rio Miera, que nos acompanha. Almoçamos numa aldeia próxima de Liérganes e descemos ao Rio para molhar os pés. O cenário é de paz, não se ouve nada, apenas o sussurrar da água a bater nas pedras e nos pés.

O Som do Rio Miera

Caminhadas, pesca, espeleologia, montanhismo, visitas a património cultural e religioso são algumas das actividades que se podem realizar nesta região, considerado o vale mais agreste e montanhoso da Cantábria. Mas, para mim, bom mesmo é arrendar uma casa e ficar ali durante dias.

Depois de um belo repasto de enchidos, grelhados e queijo da região, voltámos ao Seat. Tínhamos um longo caminho pela frente até Fuente Dé, o destino final desse dia. A paisagem foi mudando do verde bucólico para o castanho lunar das montanhas glaciares mais altas. Igualmente belo, simples, imenso. Em Espinosa de los Monteros seguimos pela estrada BU-526, em direção aos Picos da Europa. Contornámos o Embalse del Ebro, em grande lago ou pântano que se situa entre a Cantábria e Castela-Leão. Lembro-me do lago ao pôr-do-sol, dos mosquitos, eram imensos e do cansaço da condução, que nessa altura passei a Marta.

Começou a anoitecer quando começamos a ver os os primeiros Picos da Europa, são montanhas pontiagudas, parece que querem tocar as nuvens. Pensando bem, a noite é a pior altura para conduzir nas estradas sinuosas de montanha, mas conduzimos com cuidado, muito devagarinho, porque nunca sabíamos o que iríamos encontrar ao virar de cada esquina. Os animais circulam por ali, como se os seres humanos não existissem e encontrámos cavalos de montanha (felpudos) e vacas na estrada. O sinal “caça grossa” é real, atenção!

Chegámos a Espinama (a 2 Km de Fuente Dé) já de noite, perto das 22h00. Havia movimento nas ruas, mas estava frio e estávamos muito cansadas, pelo que comemos qualquer coisa e fomos logo dormir. No dia seguinte levantá-mo-nos cedinho e fomos para Fuente Dé, um ponto de partida para montanhistas. É um circulo glaciar rodeado por uma parede imensa de picos. Há um teleférico que nos leva a uma altura de 753 metros. A Marta ficou com os pés assentes no chão, mas eu subi. A vista da minha janela e do mirador é soberba. Para além do montanhismo, na região há também muitas grutas e minas abandonadas. Por ali perto estão as famosas grutas de Altamira.

Mas, infelizmente não nos podíamos alongar e partimos com destino a Vigo. Seguimos pela auto-estrada A8, que cruza a a Cantábria, as Astúrias e a Galiza, sempre a conduzir, com os olhos nos Picos que víamos à esquerda e no Mar que víamos à direita. Fizemos uma paragem para comer na Praia de Ribeiria, em Tapia de Casariego e seguimos em direção a Lugo, pela estrada N – 640, onde fizemos uma curta paragem. Lugo é conhecida sobretudo pela muralha romana, declarada património da humanidade.

Lugo, Ourense e Vigo, o destino final (no Seat), onde deveríamos chegar antes das 19h00 para entregar o carro no aeroporto. Conseguimos! O objetivo era apanhar o comboio até Lisboa, mas não planeámos absolutamente nada, nem sequer vimos os horários dos comboios, porque na maior parte do tempo não tínhamos acesso à Internet. Quando chegámos a Vigo tinha acabado de partir o comboio e só há um por dia para Portugal. Muito importante: no dia seguinte era dia de trabalho e tínhamos que estar as duas em Lisboa.

Depois de discutirmos com o senhor da estação e de discutirmos entre nós, decidimos pagar 100 euros a um táxista que nos transportou até Braga, onde às 24h00 apanhámos um autocarro para Lisboa. O final desta aventura foi às 04:00 da manhã, na Gare do Oriente, morta de cansaço, mas conseguimos! A viagem deu frutos: cheia de saudades do seu companheiro, a Marta engravidou pouco depois. Durante a viagem falámos sobre as nossas vidas, trabalho, amores, desamores, família e no desejo de sermos mães, uma já foi.

Autor: Carla Espada

Sou uma pessoa observadora, curiosa com o que se passa à sua volta

4 opiniões sobre “Pela Cantábria e Picos da Europa”

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