O marinheiro infortunado


Dizem que “mar calmo nunca fez bom marinheiro”.

Um marinheiro já velho estava na praia e olhava o mar revolto, a espuma das ondas que não deixava descortinar o fim do horizonte, deixando apenas à imaginação o que poderia lá estar. Estava ciente do risco, que naquele dia se sentia na pele, mas não hesitou e lutando contra o vento e a rebentação afiada lançou o seu pequeno barquito ao Mar.

A determinação era muita, tinha que conquistar aquele Mar, tinha que chegar ao fim, sentir, guardar dentro de si força das ondas que passavam por cima do barquito, como se as ninfas do oceano o quisessem empurrar para baixo.  O que haveria no final? Algo melhor do que a sua vida pardacenta, cozendo redes na praia. Que riquezas poderia encontrar?

Perdeu-se naquele Mar imenso, mergulhou no fundo e não viu nada, estava tudo negro à sua volta, não se ouvia um som, o ar era irrespirável, apercebeu-se da sua mortalidade, percebeu que aquele Mar era inconquistável.

O que foi feito do marinheiro? Desapareceu, “perdeu-se no mar” gritavam as mulheres chorosas na praia, que Mar é este que nos dá o sustento e a morte!

Depois da tempestade vieram dias de calmaria e num dia de ouro, iluminado pela luz do Sol, regressou o marinheiro, vivo, empurrado pelas águas de um rio, numa terra distante, sem ninguém. Não conseguiu conquistar o Mar.

Foto: Caldeira de Tróia ©CarlaEspada

 

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Autor: Carla Espada

Sou uma pessoa observadora, curiosa com o que se passa à sua volta

Um pensamento em “O marinheiro infortunado”

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