Maverick’s, Half Moon Bay, California

Chasing Maverick’s é um filme sobre o surfista Jay Moriarty, que aos 16 anos surfou as ondas gigantes Maverick em Half Moon Bay, Norte da Califórnia e do seu mentor “Frosty” Hesson.

You just gotta appreciate everything. And that’s one of the most important things in life, is just really appreciating it, because, you know, we only get to do this once, and it’s not for a long time, so, enjoy it. -Jay Moriarity

Não digo muito mais, vejam!

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Sobreiro

O tempo na floresta não é compatível com a noção de tempo dos Humanos nas grandes cidades. O sobreiro só começa a dar frutos com dezenas de anos e pode viver até centenas de anos. A floresta envolvente muda consoante a estação do ano, nada permanece igual. É engraçado, mas num campo de sobreiros, podemos sentir a lentidão do tempo passar através do canto das árvores e das aves, do sussurro das cigarras, mas ao mesmo tempo sentir que, dali a um mês, uma semana, um dia, nada será igual, outros sons virão, outra terra haverá.

Imagem retirada daqui

Faustino Cordeiro – Cooperativista

Há pessoas que enriquecem este nosso caminho, com a sua vida. É o caso do Dr. Faustino Cordeiro, com quem, no meu curto percurso profissional, tive o prazer de trabalhar, marcando a minha entrada no mundo das cooperativas. Uma figura incontornável na história do movimento cooperativo português, seguidor dos ensinamentos de António Sérgio, com quem trabalhou de perto.

Professor, exerceu durante alguns anos a profissão de professor primário, dirigente associativo e cooperativo. Foi dirigente da UNICOOP – Federação das Cooperativas de Consumo e, mais tarde, da FENACOOP – Federação Nacional das Cooperativas de Consumo, fundada em 1978, onde colaborou com o Gabinete de Apoio ao Consumidor (GACOOP). Foi aqui que, em 2006, me cruzei pela primeira vez com o Dr. Faustino.

Paralelamente à sua actividade cooperativa, desempenhou também um trabalho importante na divulgação dos valores e princípios cooperativos, na formação cooperativa, bem como na defesa dos direitos dos consumidores, representando a FENACOOP e os consumidores, nos conselhos consultivos e tarifários da Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE).

Foi director e editor do “Boletim Cooperativista”, fundado por António Sérgio, colaborou com “O Pioneiro”, Boletim da Cooperativa de Consumo “Novos Pioneiros”, de Braga, colaborou com o boletim “Linha do Sul”, da Cooperativa de Consumo “PLURICOOP”, foi fundador e membro da comissão redactorial do boletim “Nós os Consumidores”, da FENACOOP – Federação Nacional das Cooperativas de Consumidores e, mais tarde, fundador e colunista do “ECOOP”, a Revista das Cooperativas de Consumidores.

A intervenção cívica manteve-se praticamente até ao final da sua vida, foi dirigente da associação de reformados, pensionistas e idosos de Monte Abraão, freguesia onde residia, tendo fundado o boletim “Nós, os Reformados”.

Faleceu no passado domingo, dia 02 de julho de 2017. Recordo com saudade.

Sobre a actividade sindical

Os temas eram contratação colectiva e actividade sindical:

Directora de Recursos Humanos: “Na minha casa só à porta (referindo-se à distribuição de informação sindical a trabalhadores).”

Ao que pergunto: “Não existem delegados sindicais?”

“Não, nada disso! na minha casa só tenho trabalhadores felizes!”, afirma peremptoriamente a Directora.

Eu: “Mas na lei está previsto o direito de se elegerem delegados sindicais nas empresas, que podem realizar trabalho sindical junto dos trabalhadores.”

Directora: “Na minha casa, só à porta da rua!”

A felicidade da ignorância sempre foi uma ferramenta eficaz.

Como dizia o outro, foi para isto que se fez o 25 de abril pá!

Memórias de Adriano

Duvido que toda a filosofia do mundo consiga suprimir a escravatura: o mais que poderá suceder é mudarem-lhe o nome. Sou capaz de imaginar formas de servidão piores que as nossas, por serem mais insidiosas: seja que consigam transformar os homens em máquinas estúpidas e satisfeitas, que se julgam livres quando estão subjugados, seja que desenvolvem neles, com exclusão dos repousos e prazeres humanos, um gosto pelo trabalho tão arrebatado como a paixão da guerra entre as raças bárbaras. Prefiro ainda a nossa escravidão de facto a esta escravidão do espírito ou da imaginação (…)

A condição das mulheres é determinada por estranhos costumes são ao mesmo tempo dominadas e protegidas, fracas e poderosas, excessivamente desprezadas e excessivamente respeitadas (…)

Como toda a gente, só disponho de três meios para avaliar a existência humana: o estudo de nós próprios, o mais difícil e o mais perigoso, mas também o mais fecundo dos métodos; a observação dos homens, que na maior parte dos casos fazem tudo para nos esconder os seus segredos ou para nos convencer de que os têm

Uma parte dos nossos males provém de haver demasiados homens excessivamente ricos ou desesperadamente pobres (…)

Fica tudo por fazer. Os meus domínios africanos (…) devem tornar-se um modelo de exploração agrícola; os camponeses da aldeia de Borístenes (…) têm direito ao auxilio depois de um inverno penoso (…)

Durante certos períodos da minha vida anotei os meus sonhos: discutia a sua significação com os padres, os filósofos, os astrólogos. Esta faculdade de sonhar, amortecida desde há anos, foi-me restituída durante estes meses de agonia; os incidentes do estado de vigília parecem menos reais, por vezes menos importantes que aqueles sonhos (…)

Procuremos entrar na morte de olhos abertos. 

Excertos de “As memórias de Adriano”, de Marguerite Yourcenar

Já passaram alguns meses desde que terminei de ler este livro, mas ficou guardado para partilhar aqui algumas das suas passagens.

Não é um livro fácil de ler, deve-se ler lentamente, como a vida do imperador romano, ali imortalizada para o seu sucessor, Marco Aurélio.

Guardei o retrato de um estadista único, à frente do seu e do nosso tempo, um estadista lúcido, lúcido até na morte, humilde,  mas confiante no rumo ético que traçou, racional e emocional ao mesmo tempo, um defensor do papel da mulher na sociedade. Leiam!

José Afonso

Conto sempre esta história neste dia.

José Afonso morreu em 23 de fevereiro de 1987. Lembro-me de de ter partilhado com o meu pai a sua morte, ao irmos os dois ao velório que decorria na Escola Secundária Sebastião da Gama, em Setúbal, a antiga Escola Comercial. Eu tinha só 12 anos, estava a poucos dias de partir para uma viagem ao Walt Disney World, mas o meu pai achou importante levar-me até lá.

Tudo me parecia um bocado estranho, ver uma roda de pessoas em silêncio a andar à volta do local onde estava Zeca, muitas delas empunhando com orgulho cravos vermelhos. Mas, apesar da idade e de a minha cabeça já estar com o Donald e o Pateta, senti um arrepio e continuo a sentir sempre que me recordo deste dia, sempre que oiço a música de Zeca, sempre que penso no que acabou por representar para toda uma geração.

Acho que faz sentido continuar a contá-la, sempre.