Japão 日本国

Quem acompanha o meu blogue sabe que gosto da cultura japonesa, da sua simplicidade complexa, das cores, da cultura anime e da poesia, que nos deixa a pensar, uma poesia aberta, que nos invade de sensações, que nos faz viajar até outras paisagens, até outro modo de viver. Uma poesia com haimi (não existe uma tradução única, mas podemos dizer inspiradora, com alma)

Curiosamente hoje começa o Verão e uma das características da poesia haiku é o kigô, ou seja, o uso de palavras da estação do ano. Bem vindo Sol do Verão.

Objetivo para cumprir a médio prazo: ir ao Japão (existem voos diretos Madrid – Tóquio)

“Frescura:

os pés no muro

ao dormir a sesta”

Poeta Matsuo Bashô


Agora, uma tentativa ©CarlaEspada

Sol do meio-dia

As cigarras cantam

A frescura do lago

Fotografias da Festa do Japão em Lisboa – 18 de junho de 2016 ©CarlaEspada

Trrim … Trrim … Correio!!!

以 呂 波 耳 本 部 止
千 利 奴 流 乎 和 加
餘 多 連 曽 津 祢 那
良 牟 有 為 能 於 久
耶 万 計 不 己 衣 天
阿 佐 伎 喩 女 美 之
恵 比 毛 勢 須

Algumas das mais recentes aquisições, adoro o alfabeto japonês, dá poesia ao olhar.

Poema Iroha (いろは)

以 呂 波 耳 本 部 止
千 利 奴 流 乎 和 加
餘 多 連 曽 津 祢 那
良 牟 有 為 能 於 久
耶 万 計 不 己 衣 天
阿 佐 伎 喩 女 美 之
恵 比 毛 勢 須

Tradução (minha e adaptada) do inglês para o português:
Até as mais belas flores …
As cores são fragrantes, 
Mas irão desvanecer-se na volatilidade do tempo
Quem, neste mundo, não se transforma?
Hoje.
Caímos nas montanhas profundas do destino [Karma] e,
Não nos deixamos perder na superficialidade dos sonhos
Nem cair na desilusão

Receita de Bolo Castella (Kasutera)

Para quem gosta, como eu, de experimentar comidas diferentes, partilho esta receita de um bolo japonês

Não, não é bolo de peixe cru 😀 não me parece complicado de fazer e deve ser bom, experimentem!

Humm…qualquer dia vou ao Japão!

Ingredientes
1 xícara de chá de farinha de trigo
1 xícara de chá de açúcar
1/4 de xícara de mel
1 colher de chá de baunilha
1 colher de sopa de matchá (chá verde) ou pó de cacau sem açúcar (opcional)
1 colher de chá de sal
7 ovos
1 colher de sopa de açúcar
1/2 colher de café de cremor de tártaro.

Modo de fazer:
Separe as claras e das gemas em 2 recipientes. Em uma tigela grande, coloque o açúcar, o mel, a baunilha, o chá verde (opcional), o sal e as gemas. Misture bem. Em seguida, leve ao fogo, em banho-maria e, bata na batedeira por 5 minutos, em velocidade média, até que a massa fique amarelinha e duplique de volume.

Delicadamente, acrescente a farinha de trigo e reserve. Em outra tigela grande, bata as claras em neve em velocidade baixa por 1 minuto, e depois aumentando para médio e alto. Quando as claras ficarem espumosas, polvilhe 1 colher de açúcar e o cremor de tártaro. Continue batendo até ficarem firmes.

Com a ajuda de espátula misture as claras em neve delicadamente com a massa reservada. Forre uma forma retangular com papel manteiga e com o forno pré-aquecido, leve pra assar em temperatura média de 160 ° durante cerca de 30 minutos ou faça o velho teste com um palito de dente, furando o bolo até que saia seco.

Depois de assado, desenforme o bolo e deixe esfriar em temperatura ambiente. Uma dica para manter o bolo com a textura úmida é embrulhá-lo em filme plástico depois de frio e levá-lo para a geladeira por algumas horas. Prontinho! Depois é só reunir a família toda para saborear o kasutera no lanchinho da tarde.

Retirado daqui: http://www.japaoemfoco.com/receita-de-bolo-castella-kasutera/#ixzz3YWTlr3hu

“Sendo” [ 銭湯 ]

Tira os sapatos, cruza a cortina e entra no banho, imediatamente toma consciência do calor, da humidade que a envolve e que contrasta com o gelo que inunda as ruas. Senta-se sobre as duas pernas, em silêncio, como se estivesse a meditar e com suavidade abre o quimono vermelho, deixando transparecer a brancura da nudez, apenas contrariada pelo agreste negro do cabelo que lhe cai pelas costas e do sexo.

Passa as mãos pequenas pela água termal e deixa cair pequenas gotículas, que percorrem os braços, depois os olhos, os lábios pequenos, os seios que parecem flores de ameixeira a florir na Primavera. As mãos percorrem o corpo, preparando-o para algo que se seguirá, descobrindo caminhos que serão desbravados por um homem que cruzará a cortina à procura do momento, para a tomar para si, com força viril, domínio e que depressa a esquecerá e substituirá.

Ela toma consciência de si, do seu corpo, dos seus desejos e mergulha na água quente, que a acolhe, como se voltasse a casa, desaparecendo por entre as ondas prateadas, na brancura do seu ser.

“Sendo” [ 銭湯 ]